sexta-feira, 21 de março de 2025

Conjuntura econômica brasileira


 Nos últimos dias o Brasil revelou três elementos centrais no quadro econômico alargado, adicionais à informação anterior sobre o crescimento de 3,4% no PIB de 2024.

Assim, tivemos a subida da taxa Selic para 14,25 %, traduzindo constante atenção aos riscos de inflação alta. Medida governamental importante nesta matéria foi a redução ou anulação dos direitos de importação para diversos produtos de alto consumo que, como já foi feito há alguns anos em outras circunstâncias e mesmo objetivo, visa estabelecer concorrência corretiva em relação à tendência de subida nos preços por alguns operadores influentes.

Efeitos desta medida talvez no segundo semestre.

Tivemos também o projeto de lei alterando alguns níveis de contribuição fiscal, com isenção para rendas até R$ 5.000,00, reduções em rendas próximas dessa e subida nas altas rendas. O resultado, segundo o ministro da Fazenda, incidiria em 140 mil pessoas de alta renda e 20 milhões de baixas rendas. 

Se for aprovado, o projeto terá alcance em termos de alívio social, porém,  impacto sério no poder de compra - o consumo interno é parcela de primeiro plano em qualquer PIB, com mais razões ainda num pais de 220 milhões de habitantes - dependerá da subida do salário médio nacional, portanto diminuição da vasta gama de salários baixos.

A noção de mão de obra numerosa e barata - que já constituiu escola até premiada com Nobel - deve ser hoje manejada com equilíbrio entre a capacidade financeira empresarial e estatal, por um lado, e a disponibilidade das famílias no consumo e acesso à educação e saúde. Inclusive porque desse equilíbrio decorre a formação de recursos humanos com capacidade de iniciativa.

Quanto ao Orçamento,  é apresentado na perspectiva de superavit da ordem dos 15 bi de R$. O total orçamentado está em cerca de 5,7 trilhões de Reais. Ao câmbio aproximado de hoje, perto de um trilhão de USD, ou seja, um dos maiores do mundo.

A revisão periódica habitual vai indicar se estaremos perto ou longe da meta do superavit e o debate no Congresso se o projeto de redistribuição do esforço fiscal será ou não aprovado.

A previsão do Ministério da Fazenda é de desaceleração do crescimento no ano em curso, descendo ao nível de 2,3%, justificando com os atuais juros altos e baixa na contribuição do setor agropecuário para o crescimento. 

Se trata de setor chave nas exportações e no abastecimento de base no mercado interno.  Carência central continua sendo a dependência externa de fertilizantes em pelo menos dois terços das necessidades.

Situação semelhante à dos semicondutores, atividade decisiva na diversificação além das atividades tradicionais, na atualização tecnológica e científica do Brasil e  colocação do país em escala compatível com seu PIB, situado geralmente no top 10 mundial, porém no conjunto das inovações aparece basicamente como consumidor e importador.

Por vezes surgem informações sobre empreendimentos na mineração em terras raras - o Brasil é dos maiores detentores - sendo desejável não se limitarem ao simples extrativismo.

Enfim, talvez este primeiro semestre dê alguns detalhes sobre os efeitos, em paises como o Brasil, da política econômica norte-americana, baseada na incerteza sobre o uso da arma tarifária. 




Um comentário:

  1. Expandimos nosso conhecimento e visão ouvindo ou lendo as notícias e informaçōes compartilhadas pelo Professor Jonuel !!

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