terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Terras raras e semicondutores

 A União Europeia decretou sanções ao Ruanda em virtude de sua atuação militar no território da RD Congo: suspensão das consultas sobre defesa e revisão dos acordos sobre terras raras, das quais toda a região é grande detentora. Este item ganha dimensão mundial acrescida, em virtude da busca pelos EUA de contratos sobre terras raras da Ucrânia. 

No caso Ruanda-Congo, Washington vai adotar posição idêntica à U. E. ou vai aproveitar no sentido oposto?

O Brasil é outro grande detentor desse tipo de terras, portanto, minerais estratégicos para Novas Tecnologias. Sua extração e refino, no entanto, é modesta.

A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração  aparece  como interessada na separação de terras raras, partindo de resíduos resultantes de suas operações. A Vale tem feito pesquisas e a Indústrias Nucleares do Brasil procura aproveitar subprodutos da extração de urânio. 

A separação, purificação e refino requerem grandes investimentos e nível tecnológico muito elevado, até aqui nas mãos de grandes potências.  Para dar valor concreto à existência de terras raras é indispensável mobilização de capital ( incluindo parcerias internacionais) e transferência de tecnologia (acompanhada de pesquisa própria).

Está visível que o tema assume impacto econômico de primeiro plano. Ao mesmo tempo, a Administração Trump prepara novas medidas restritivas sobre fornecimento de semicondutores avançados à  China, fazendo pressão sobre aliados para seguirem a mesma orientação. 

Talvez isto sirva de moeda de troca europeia em relação ao posicionamento USA quanto às negociações sobre a Ucrânia. Está situada na Holanda a principal fábrica mundial de equipamento indispensável à produção de semicondutores e França, Alemanha, Reino Unido e Índia tem já resultados importantes no conhecimento avançado do produto e projetam grandes investimentos.

Naturalmente, é oportunidade - não só econômica mas de efetivo peso internacional - para todos os países possuidores de grandes reservas de terras raras e alguma base empresarial e de pesquisa científica. Caso brasileiro. 



sábado, 22 de fevereiro de 2025

"Rei"Trump, putinização, narcisismo

 Ou algo mais? 

Pergunta  implicando um dado que não pode nunca ser subestimado: largas faixas da humanidade, que em determinados períodos da História fazem maioria, vêm personalidades com algum desses "atributos" como salvadores. O livro " Medo da liberdade" de Eric Fromm continua válido na matéria e quem luta pela liberdade sabe que esta não é objetivo de todas as pessoas. A crença nos salvadores políticos corresponde a segmentos populacionais de baixa confiança em si próprios e na sociedade em geral. Daí, transferirem para personalidades cultuadas a condução da Vida. Daí, colocar a liberdade no centro da Vida compreende ação educativa e condições sociais muito diferentes do poker ou loteria.

Posto isto, reproduzo passagens da Opinion Today do New York Times que recebi esta manhã. Tradução direta por I. A. Clique em cima das fotos para ler melhor.






quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Negociação ou rendição

Rússia e Estados Unidos querem rendição ucraniana. Na guerra dos Grandes Lagos africanos, ambos os lados querem a rendição do outro. Na guerra Israelo-palestina, o atual governo de Israel quer rendição de todos os palestinos (do Hamas à A.P.). O regime iraniano e agrupamentos que apoia querem rendição de Israel. 

Nessa base constante são feitas propostas de negociações. 

Claro, muita gente acha sem sentido negociar em que cela de prisão se vai ficar ou em que esquina se pode pedir esmola ou ainda perante quem há obrigação de ajoelhar .

Lembremos dois momentos na História.

Ano 480 a.c.: A Pérsia de Xerxes com 200 mil homens ataca uma coligação parcial grega, chefiada por Leônidas de Esparta, dispondo, no máximo de sete mil soldados. Xerxes exige a Leônidas que entregue as armas e o espartano responde: " Vem buscá-las". Resistiram, gerando dois fatores centrais: muitas baixas ao inimigo e atrasando seu calendário. Xerxes venceu com este preço e, em seguida, incendiou Atenas. 

Entretanto, os atenienses retiraram para a ilha de Salamina, construíram uma força naval que derrotou a marinha persa, na batalha com esse nome. No ano seguinte (479 a.c.) a coligação grega tornou-se mais abrangente e seu exército derrotou o persa na batalha de Plateia. 

Foi necessário apenas um ano e os efeitos históricos são conhecidos. 

Séculos depois, em junho de 1940, os britânicos conseguem salvar suas tropas na bem estruturada retirada de Dunquerque. Hitler propôs a Churchill que o Reino Unido fosse realista, reconhecendo as ocupações alemãs na Europa continental e, em troca, a Alemanha reconheceria e respeitaria o Império britânico. 

A resposta de Churchill levou a propaganda nazi-fascista a chamar o primeiro ministro britânico de causador de guerra, inimigo da Paz, etc e enviou sua aviação bombardear Londres. A RAF derrotou a força aérea inimiga que, em outubro de 1940, desistiu. 

Momento decisivo com influência no subsequente desenrolar da segunda guerra mundial, cujo resultado final nos trouxe até aqui. 

domingo, 16 de fevereiro de 2025

USA provavel vencedor imediato da guerra na Ucrânia

           Se o cenário consecutivo à conversa telefônica Trump-Putin prosseguir, ganham mesmo.


Washington tem argumentos suficientemente pesados sobre os dois beligerantes para trabalhar segundo seus próprios termos ( que ainda estão sendo detalhados internamente): levantamento das sanções e congelamentos à Rússia, com reinserção desta na economia mundial (como prevê o bem informado V. Orban); prestar assistência ou cortar apoios à Ucrânia. 

No imediato, Trump quer demonstrar seu poder, submetendo a Europa à dúvida quanto a seu papel e afastando os candidatos a mediadores que se foram manifestando, excetuando a Arábia Saudita. 

Em qualquer conflito, o estatuto de mediador fornece altos dividendos políticos. Quando o conflito é de efeito global, tal estatuto só é atribuído aos mais influentes e auxiliares por eles designados. Os USA não cedem o protagonismo  a ninguém, mas aceitam os sauditas, porque precisam muito deles na Ásia Ocidental, porque eles dirigem a OPEP plus junto com a Rússia e desenvolvem discretamente contatos com os beligerantes .

O primeiro lugar mencionado para encontro presencial Putin-Trump é Riade ou algum palácio suntuoso de outra cidade da AS.

A política de Trump tem mesmo continuidade em relação à de Joe Biden.  O valor do equipamento militar fornecido pelos USA - segundo Trump seriam cerca de 500 bi de USD - pode ser em parte transformado em investimento para propriedade de algumas terras raras ucranianas (podendo ir até a metade) super valiosas no abastecimento das IT norte-americanas ou impedir que sejam usadas por rivais. 


Séria hipótese de trabalho seria o reaparecimento do G8 incluindo, portanto, a Rússia. Como efeito, o G20 e sobretudo os Brics, passariam a subalternos, pontos de encontro ocasionais ou ainda estrutura em stand by para uso na próxima crise mundial. A escolha de Putin será apenas em função das vantagens. 

O dólar US permanecerá dominante, mas o rublo passará a moeda conversível com o aumento das trocas comerciais russas e investimentos diretos estrangeiros que receberá. 

O ataque concreto aos Brics e ao G20 já começou com " punições " à África do Sul: corte de ajuda USA (valor simbólico), ameaça de redução drástica no acesso de produtos sul-africanos ao mercado estadunidense ( valor central agravante da crise econômica do país africano) e boicote de Washington à próxima reunião do G20, marcada precisamente para a África do Sul. 

Sobre fronteiras, a Casa Branca atual não se incomoda nada que elas sejam corrigidas em outros continentes, até porque cria antecedentes a projetos seus na matéria, não obrigatoriamente com ocupação (embora não excluida) mas com as regras que pretende impor à travessia de pessoas e mercadorias. 

A Rússia recebe uma pequena porção da Ucrânia ( onde vivem russofonos) ficando longe de seu objetivo inicial; a Ucrânia fica com os ucranianos e não entra para a OTAN (formalmente). 

Uma negociação com estes componentes exige tempo, dando margem para contrariedades.  

Por exemplo: Kiev eventualmente conseguiria apoio  na Europa que, se acrescido por mobilização interna, consideraria suficiente para prolongar sua resistência, obrigando o adversário a manter economia de guerra e sofrer baixas no terreno. Quanto mais o ultra-nacionalismo crescer na Europa, menos isso será possível. 

Outro exemplo: a China está silenciosa mas não vai permanecer assim, dada sua capacidade econômica e alta influência no Kremlin. Está olhando e alimentando o  data center especial de Xi.

Mais um: quatro anos podem ser insuficientes para implementar um acordo que não seja mera alternância de cessar-fogo e renovar de combates ou novas reivindicações globais. Nada garante que o atual poder em Washington ultrapasse esses quatro anos.

Entretanto: 

é bom estarmos preparados para grande vaga de fake news e propaganda de ódio, em torno das negociações;

será ótimo que cada país do resto do mundo melhore seus desempenhos internos. É básico para resistir às pressões que vêm por aí. 



quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Economia brasileira

 


1. A discussão sobre pesquisa petrolífera a cerca de 500 km da foz do Amazonas (distância relativamente curta quanto a eventuais impactos) ganha intensidade. O novo presidente do Senado declarou seu apoio ao projeto, cuja incidência econômica e financeira no Amapá - seu estado, um dos mais pobres do país - será enorme. 

O IBAMA ( Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Nacionais Renováveis), continua apresentando objeções sobre proteção ambiental.  A Ministra do Ambiente está contra o projeto. 

O Presidente da República é favorável ao início da pesquisa e criticou duramente o IBAMA. A Petrobras garante ter acatado todas as recomendações desse Instituto. 

2. As sobretaxas aduaneiras relativas à importação de aço e alumínio nos EUA, podem afetar ambos os setores brasileiros, que exportam volumes elevados para o mercado norte-americano. No entanto, persiste a ideia de não retaliar, até pela percepção de que, novamente, o percentual de 25% anunciado por Trump é para negociar (a entrada em vigor foi marcada para março) e que o verdadeiro alvo da medida seria a China, funcionando os demais como cobertura para evitar impressão de agressividade específica. 

3. A Transparência Internacional considera agravamento do Índice de Percepção de Corrupção no Brasil. Entre os pontos que contribuem, refere as Emendas Parlamentares. 

4. Inflação anualizada em janeiro assinala 4,56%, portanto, redução sobre os 4,83 de dezembro. O principal item apontado é diminuição pontual dos preços da eletricidade no começo do ano. Expectativa sobre durabilidade em fevereiro, tanto no geral do IPCA como na faixa dos bens alimentares, pela sua forte incidência na grande maioria dos consumidores. 

5. Cotação do USD esta manhã na bolsa de São Paulo: R$ 5,754. Índice Bovespa neste momento: - 1,45. 

                 *as imagens desta postagem foram elaboradas com recurso a I. A., como já venho fazendo há algumas semanas. 

sábado, 8 de fevereiro de 2025

Cupula de ação sobre Inteligência Artificial

É a terceira edição. As duas anteriores decorreram no UK e na Coreia do Sul.

Começou na passada quinta-feira com dois dias de reuniões científicas, na Escola Politécnica, em Saclay, perto de Paris. 

Decorre agora o "fim de semana cultural" no Grand Palais e, nos dias 10 e 11, a parte mais formal do encontro co-presidido pela França e Índia. Presença de 100 países e centenas de empresas e entidades de pesquisa. 

A delegação chinesa é dirigida pelo vice primeiro-ministro, Zhang Guoqing e o chanceler Mauro Vieira chefia a delegação brasileira. 

Logo nos primeiros dias, a França anunciou 35 novas localizações para construção de datacenters e o projeto dos Emiratos Árabes Unidos de construir em França um mega center,  com capacidade de cálculo até  um Gigawatt e investimento de 30 a 35 bi de €. Um novo campus será edificado com esse objetivo. 

Macron convidou Trump e Elon Musk. Não tenho informação sobre essas eventuais presenças. 

O online do "Washington Post" afirma em postagem desta  noite, que o objetivo de Musk, nas suas iniciativas sobre o aparelho administrativo, seria controlar o funcionalismo público federal.

Ainda nos EUA, muito mencionada a entrevista de Bill Gates com a AP News, ontem publicada, assinalando que a Intel perdeu o rumo. Nota importante sobre a empresa que, em 1970, lançou o primeiro chip, abrindo uma via tecnológica em ampliação constante até hoje. Na mesma entrevista disse ter sido surpreendido pelo posicionamento de colegas de outras empresas de Silicon Valley  no que considerou como centro-direita, uma vez que ele via a maior parte no centro-esquerda.

Bill Gates teve longo encontro com Trump e há poucos anos foi recebido por Xi Jinping. 

Nesta " questão " de opções políticas nos EUA, os chefes e donos de grandes empresas - de qualquer ramo - apoiam Trump. Na IT, a maioria das startups não torna pública suas simpatias políticas. 

A maior fornecedora mundial de máquinas para semicondutores, ASML, baseada em Veldhoven (Países Baixos), reportou no fim de janeiro vendas de € 28,3 bi e receita líquida de € 7,6 bi. Prevê  € 30 a 35 bi de vendas este ano.

Tudo isto aparece como quadro de fundo da grande reunião parisiense, onde também é evidente a preocupação europeia de recuperar o terreno perdido na I. A e correspondente produção de ferramentas.

Isto pode levar a um terceiro grande pilar mundial de atividade,  de grande impacto em política científica e tecnológica e, melhor ainda, se países como Índia, Malásia, Coreia do Sul, Austrália, Brasil, México, África do Sul também se projetassem em bloco.

A expressão Inteligência Artificial foi usada pela primeira vez em 1956 por dois cientistas norte-americanos. A trajetória dessa área de conhecimento pode conduzir a nova designação. 



  

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Guerra Econômica: olhando campos de batalha

 


Consequências do aumento de tarifas aduaneiras, que entram em vigor amanhã às 12:01 de Washington, são objeto de recolha de dados e análises em várias partes do Mundo. Os três países alvo destas primeiras " salvas de canhão " prometem retaliar, acrescentando a China queixa no Organização Mundial de Comércio. 

A Bloomberg Economics  escreve que a nova situação tarifária sobre os três maiores parceiros dos EUA afetarão trocas no valor da ordem de 1,3 tri de USD, representando 43% das importações dos EUA e perto de 5% de seu PIB. O novo quadro pode provocar novo choque de oferta, causando alta nos preços de vasta gama de produtos - fruta, vegetais e carros, são os imediatamente referidos. 

Muito dependentes das exportações para o vizinho, o Canadá e o México terão efeitos ainda piores, na medida em que essas exportações contam por 14% do PIB do Canadá e 16% do mexicano.

A China depende muito menos: 2,3%.

A linha da frente na arma tarifária USA vai ampliar-se à União Europeia, segundo ameaças explícitas e Bruxelas já anunciou estar pronta a retaliar.

Não tenho conhecimento de quais seriam precisamente os tipos das retaliações, em nenhum dos casos citados. 

O Presidente Trump tinha anunciado para esta manhã conversas telefônicas com o primeiro ministro do Canadá e a Presidente do México. Esta declarou há pouco que os EUA vão adiar por um mês a entrada em vigor da nova tabela tarifária. 

Se Trump, seja quando for, mantiver os ataques e os estender à União Europeia e Mercosul, vai colocar em grande dificuldade aliados importantes, como Meloni, Orban e Milei e, no mínimo, causará embaraços em simpatizantes de outros níveis. 

Entre eles, setores ou autoridades que designavam os EUA, em tom acusatório, de Império e, após a eleição de D. T. deixaram de o fazer.

Em economia ninguém pode ter parceiros com muito peso, seja em volumes totais, seja em bens cruciais. Quem tiver fica sujeito a agressão em caso de guerra econômica - neste momento pode ocorrer seja com quem e onde for - ou a importar eventuais crises deles, a inflação mundial já demonstra isso.

domingo, 2 de fevereiro de 2025

SuperCopa REI

 Flamengo conquista o primeiro título da temporada, derrotando o Botafogo por 3 a 1 ( Bruno Henrique, duas vezes  e Luis Araújo, marcaram pelo Mengão). A partida no Mangueirão,  em Belém, PA, esteve interrompida mais de uma hora devido a chuva torrencial.

A forma como jogou hoje, faz prever evolução do Flamengo ao longo do ano e bons desempenhos nacionais e internacionais. 

Resultado financeiro para o Flamengo: equivalente a um milhão de USD pela participação + um milhão de USD pela vitória. 

Este jogo revelou, de novo, um obstáculo do futebol brasileiro: em relação à temporada 2024 o Flamengo perdeu 4 jogadores e o Botafogo 5.



BOM DOMINGO A TODO O MUNDO