A União Europeia decretou sanções ao Ruanda em virtude de sua atuação militar no território da RD Congo: suspensão das consultas sobre defesa e revisão dos acordos sobre terras raras, das quais toda a região é grande detentora. Este item ganha dimensão mundial acrescida, em virtude da busca pelos EUA de contratos sobre terras raras da Ucrânia.
No caso Ruanda-Congo, Washington vai adotar posição idêntica à U. E. ou vai aproveitar no sentido oposto?
O Brasil é outro grande detentor desse tipo de terras, portanto, minerais estratégicos para Novas Tecnologias. Sua extração e refino, no entanto, é modesta.
A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração aparece como interessada na separação de terras raras, partindo de resíduos resultantes de suas operações. A Vale tem feito pesquisas e a Indústrias Nucleares do Brasil procura aproveitar subprodutos da extração de urânio.
A separação, purificação e refino requerem grandes investimentos e nível tecnológico muito elevado, até aqui nas mãos de grandes potências. Para dar valor concreto à existência de terras raras é indispensável mobilização de capital ( incluindo parcerias internacionais) e transferência de tecnologia (acompanhada de pesquisa própria).
Está visível que o tema assume impacto econômico de primeiro plano. Ao mesmo tempo, a Administração Trump prepara novas medidas restritivas sobre fornecimento de semicondutores avançados à China, fazendo pressão sobre aliados para seguirem a mesma orientação.
Talvez isto sirva de moeda de troca europeia em relação ao posicionamento USA quanto às negociações sobre a Ucrânia. Está situada na Holanda a principal fábrica mundial de equipamento indispensável à produção de semicondutores e França, Alemanha, Reino Unido e Índia tem já resultados importantes no conhecimento avançado do produto e projetam grandes investimentos.
Naturalmente, é oportunidade - não só econômica mas de efetivo peso internacional - para todos os países possuidores de grandes reservas de terras raras e alguma base empresarial e de pesquisa científica. Caso brasileiro.