sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Mundo girando e nós nele

 Até aqui o cessar fogo no Líbano está sem violações. Apenas raras explosões sem consequências . Dos dois lados da fronteira movimento intenso de pessoas que procuram voltar para casa ou ver como estão as condições para isso. O acordo não abrange Gaza, onde se espera longa presença de Israel, pelo menos a norte.

O regime iraniano deve ter dado seu aval ao acordo Israel-Hezbollah.

Em política interna iraniana, parece ter concluído um problema em área que aqui priorizamos: os direitos da mulher sob patriarcalismo, neste caso, extremo.

Ahou Daryel, estudante universitária tentou entrar na principal universidade de Teerã sem véu.  Foi impedida e insultada pela segurança.  Reagiu e a conversa radicalizou. Ela tirou o vestido e ficou em roupa interior. Mais insultos. Afastou-se e no parque de estacionamento tirou tudo. Colegas pouco corajosos ou assustados, filmaram à distância. Um ou dois ganhou coragem mais tarde e postou. Ahou foi presa, agredida e levada a tribunal que, perante tantos protestos de mulheres iranianas e casos de repressão mortal, preferiu considerá-la " louca".

A prêmio Nobel da Paz, Narges Mohammadi, também iraniana e que está presa, elogiou a ação dela.

Faz parte da História deste blog recorrer a imagens inspiradas nesse método ( ou fazer lhe referência) para protestar contra praticas de submissão do corpo da mulher. O ponto mais alto nesse sentido foi no período de grandes riscos quando os jihadistas ocuparam cidades do Mali, obrigando a mulher a esconder todo seu corpo - incluindo rosto e mãos ( ver filme do Abderramane, cineasta da Mauritânia, " Timbuktu").

Continuaremos acompanhando essas lutas, repercutindo aqui da forma que amigas e amigos, diretamente envolvidos, apontarem como de impacto. 

Em outro nível africano, Joe Biden vai visitar Angola a partir de segunda-feira com u

ma agenda política, econômica e de segurança. Um grande desafio para Donald Trump entre dar continuidade e o habitual desprezo que demonstrou pelo continente africano. 

No continente americano, Trump vai aplicar tarifas aduaneiras adicionais de 25% ao Canadá e México.  Isso vai atingir empresas USA em território mexicano que Trump quer fazer regressar aos EUA. Ao mesmo tempo, é ameaça para o atual acordo comercial da América do Norte.

Economistas mexicanos afirmam que a medida terá efeito boomerang, podendo causar a perda de 400 mil empregos nos próprios EUA.

Aqui, desafio para Claudia Sheinbaum, recém chegada à presidência mexicana: diversificar parceiros.



quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Namibia

      Eleições presidenciais e legislativas 

Maior desafio ao partido SWAPO, no poder desde a independência há 34 anos. A atual vice Presidente do país, senhora Nandi Ndaitwah, candidata presidencial e seus candidatos à Assembleia Nacional, com forte oposição de direita, centro e esquerda. 

Este conjunto protestou junto à comissão eleitoral sobre falta de boletins de voto em vários locais e erros na verificação eletrônica. Filas de espera por várias horas. Enquanto uns acusam a comissão de incompetência, outros falam de atitude deliberada para desencorajar eleitores.

Por essas razões a votação foi prolongada até a manhã de hoje. Espera-se publicação de resultados no sábado. 

Namíbia é um dos dez países africanos que fazem consenso nos rankings de democraticos

    Agência Reguladora de Comunicações ( Cran)

Cran com dois problemas:

     os grandes avanços na produção de Hidrogênio Verde na Namíbia, requer telecomunicações e digitalização de mais  alto desempenho como condição de operacionalidade. Várias empresas europeias muito interessadas, sobretudo da Holanda, Alemanha e França.

   sem aparente relação com o problema anterior, a agência publicou comunicado informando que as atividades da Starlink ( propriedade de Ellon Musk) em território namibiano estão ilegais, por não cumprimento de normas em vigor no país. 

terça-feira, 26 de novembro de 2024

Belicismos europeus

A Europa é desde há séculos continente altamente bélico dentro dele próprio, com severos efeitos para o resto do mundo, por extensão geográfica de guerras ou por políticas coloniais e suas sucessões. 

Atualmente há dois países europeus adotando normas que parecem eco desses tempos. A Rússia em termos militares e a França em termos econômicos. 

Para não recuar muito na História vamos considerar desde finais do século XVIII e começo de XIX com ambos procurando serem grandes potências e falhando ao fim de pouco tempo. 

A França fez parte do colonialismo europeu de expansão marítima e a Rússia do colonialismo sobre as proximidades terrestres. Jogando a carta militar a fundo, acabaram por se confrontar militarmente.



                          Alexandre I e Napoleão 


Políticas adotadas posteriormente por estes dois países, afinal, têm prejudicado eles próprios, tornando-lhes hoje impossível alargar capacidade econômica e presença importante na criação científica e tecnológica. Sem isso não há potência (no significado positivo). Para alcançar tal objetivo têm de mudar suas visões do mundo, começando pelo relacionamento com os vizinhos e com os povos a quem impuseram colonialismo. 

Neste momento, a Rússia continua a invasão da Ucrânia e a França faz grande ofensiva economico-diplomatica contra o Acordo Mercosul-União Europeia. Duas práticas na linha da agressividade, colocando a rendição dos outros como requisito. 

A Rússia chama paz na Ucrânia às exigências de rendição ucraniana perante as conquistas militares da invasão. A França chama acordo à submissão  sul-americana às exigências de um setor da economia francesa. Dupla imposição dos seus termos como base do relacionamento mundial. 

A influência da extrema-direita nestes comportamentos tem peso decisivo e, nos respectivos entornos, a Rússia gera resistências enquanto a França está em minoria na União Europeia. 

Mesmo assim, se insistirem em seus atuais caminhos, podem fazer o mundo - e eles próprios - sofrer e perder oportunidades.

Nos bastidores há articulações para negociar paz na Ucrânia e em Brasília devem começar hoje reuniões para concluir os termos do Acordo UE-Mercosul. Quem tem experiência de guerra e processos de resolução de conflitos, sabe que exigem muito mais que 24 horas. E os termos finais de um Acordo estão sujeitos a ratificação posterior.

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

Falaram

 que eu desistiria do tênis de mesa kkkkkk erraram. Hoje o CT estava animado


 

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

De novo à mesa ( de tênis)

 Após anos sem jogar, voltei hoje à prática que vai entrar de novo na minha rotina. Amanhã estou lá. Gostei do reencontro com a mesa, bolas, raquete e outros jogadores.

Uns de nível avançado, outros iniciantes e eu reiniciante ( acho que inventei essa categoria).

Selfies:



terça-feira, 19 de novembro de 2024

Eliminatórias SulAmericanas

 12a. Rodada ( faltam 6 para concluir)

Bolívia 2 Paraguai 2

Colômbia 0 Equador 1

Chile 4 Venezuela 2

Argentina 1 Peru 0

Brasil  1 ( Gerson) Uruguai 1 (Valverde)

Estariam classificados neste momento (pela ordem na tabela): Argentina. Uruguai, Equador, Colômbia, Brasil, Paraguai. Repescagem: Bolívia. Estariam eliminados: Venezuela, Chile, Peru




sábado, 16 de novembro de 2024

Corredores bioceanicos na América do Sul

 A inauguração do porto de Chancay, no Peru, reforça o estudo de opções nas vias interoceanicas sul-americanas. O evento coincidiu com a Cúpula do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico ( APEC), em Lima.

Antes de mais, a grande mídia internacional ( incluindo a mais respeitável) considera Chancay como " porto chinês", forte ignorância geográfica: fica situado no Peru, portanto, sob soberania peruana. A maioria do capital ( na construção e operação) é da Cosco Shipping, chinesa, porém, não é lúcido esquecer os 40% da peruana Volcan, nem a sempre presente hipótese de alterações no capital, sobretudo após o período do retorno completo do investimento. 

                            Chancay, Peru 

Chancay terá 15 cais e profundidades de 17/18 metros, ou seja, capacidade múltipla de carga/descarga e super-cargueiros. É enorme estímulo para a economia peruana, pode funcionar como hub para trocas de outros países sul-americanos com a China, reduzindo de 35 para 23 o número de dias necessários à navegação entre os dois lados.

É óbvia a incidência nos volumes e custos, considerando a intensidade geral do movimento. 

No Brasil, o Acre está fortemente interessado. Situado a cerca de 1.800 km da costa peruana, o Governo estadual tem pressionado no sentido de adequação de infraestruturas e já obteve parte delas. Dois problemas: a subida dos Andes obriga recurso a caminhões apenas  de médio porte e as infraestruturas são necessárias também do lado peruano.

A importância da opção é enorme, daí a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, ter estado em Lima no mês de março. Opção que não exclui outra ou outras.

No Chile, há vozes preocupadas com a concorrência de Chancay sobre os portos chilenos. Sem motivo, caso se articulem bem com Argentina e sobretudo, com o Brasil, que já avançou muito no corredor bioceanico entre Santos e Paranaguá e o litoral chileno, onde estão Valparaiso, San Antônio e Antofagasta.


                            Antofagasta, Chile

Atravessa o Paraguai e Argentina - que têm vias de acordo com os imperativos ou para serem melhoradas. Aqui aparece de novo o obstáculo cordilheira, mas também a vantagem de ligar quatro economias  sub-continentais, justificando investimentos vultosos. Talvez menos que os 3,5 bi USD anunciados em relação a Chancay.

Gráficos recentes sobre o corredor bioceanico, a nível de Campo Grande (o tráfego de grãos é decisivo) até Mumbai ( Índia) assinala economia de cerca de 100,00 USD por tonelada, relativamente à ligação via canal.do Panamá.

Vamos então a conclusões sumárias:

- estas ligações entre oceânos são complementares e servem tanto ligações internacionais como integração sul-americana;

- o medo do capital chinês no empreendimento peruano é irracional.  É IDE ( investimento direto estrangeiro) como qualquer outro, sujeito à legislação local.

- a Ásia-Pacífico é hoje a região de maior dinamismo econômico mundial. São várias grandes economias e todas são prioridade para o Brasil, tal como a integração com os vizinhos. Assim, os diversos " corredores" são exigência correspondente à dimensão do país.  Exportar da Amazônia não é como exportar de São Paulo ou Mato Grosso.

Estas breves considerações surgem no momento em que a chegada de Trump à Casa Branca vai diminuir o multilateralismo e o governo argentino está na mesma linha. Portanto, construir links sólidos e diversos tem significado existencial, quando se pensa em desenvolvimento, não apenas em ciclos de crescimento. 

Este quadro mundial já estará patente na Cúpula do G20, aqui no Rio a partir de segunda-feira,18 de novembro e aumento tendencial a partir do próximo ano. Impossível prever por quanto tempo.