segunda-feira, 24 de julho de 2023

Brasil quatro

 

Boa exibição.  Equipe bem articulada e grande vontade de fazer o máximo. Certeza de jogadoras recém chegadas à seleção, com alto desempenho. O caminho ainda é longo, adversárias mais difíceis, mas vamos sem medo. 

A competição em geral tem um significado que faz dela mais que jogo. Para muitos países é parte de afirmação da dignidade da mulher. Estou pensando no Sahel e arredores onde tenho participado em campanhas na matéria, dentro da luta pelos direitos humanos. 

Nesse sentido, a presença de Marrocos é importante.  Há países onde o futebol feminino é proibido e outros onde são obrigadas a jogar de véu e calças compridas. Para salafistas e boa parte de seitas ditas cristãs o corpo da mulher é pecado. 

Sobre isso vale a pena ver o filme " Timbuktu", de nosso amigo mauritanano Abderramane, premiado em Cannes.

A seleção brasileira representa a sociedade melhor que a classe política. As seleções do Caribe também.  As jogadoras marroquinas significam coragem contra os dogmas de certos religiosos ( e prolongamentos) para projetos políticos totalitários





Equilíbrio no Grupo G

 Tanto ontem no Suécia 2 África do Sul 1, como hoje no Itália 1 Argentina 0, os resultados foram decididos em cma dos 90 minutos. Equilíbrio em ambos e o grupo permanece em aberto.

domingo, 23 de julho de 2023

Bons desempenhos do Caribe

 No Mundial feminino de futebol, duas seleções do Caribe em destaque. O Haiti perdeu 1 a 0 para a Inglaterra com pênalti ( batido duas vezes). A Jamaica faz 0 a 0 com a França, apesar de ter tido sua melhor jogadora expulsa em decisão muito duvidosa da arbitragem.


Jamaicanas comemoram final de partida.

Jamaica e França estão no grupo do Brasil que joga amanhã com Panamá. 

quarta-feira, 19 de julho de 2023

domingo, 16 de julho de 2023

Atitude

 Ela perguntou: "Quanto você está vendendo os ovos?"

O velho vendedor respondeu: $0,50 - um ovo, Senhora".

Ela disse: "Vou levar 6 ovos por $2,50- ou vou embora".

O velho vendedor respondeu: "Venha levá-los ao preço que você deseja. Pode ser, este é um bom começo porque não consegui vender nem um único ovo hoje ".


Ela pegou os ovos e se afastou sentindo que ganhou. Ela entrou em seu carro elegante e foi a um restaurante elegante com sua amiga. Lá, ela e sua amiga, pediram o que quiseram . Elas comeram um pouco e deixaram muito do que pediram. Então ela foi pagar a conta. A conta custava $400,00. Ela deu $500,00 e pediu ao proprietário do restaurante para ficar com o troco....


Este incidente pode ter parecido bastante normal ao proprietário, mas muito doloroso para o vendedor de óvos pobre..


O objetivo é,

Por que sempre mostramos que temos o poder quando compramos dos necessitados? E por que ficamos generosos com aqueles que nem precisam de nossa generosidade?


Uma vez eu li em algum lugar:


"Meu pai costumava comprar bens simples de pessoas pobres a preços elevados, mesmo que ele não precisasse deles. Às vezes, ele costumava pagar mais por eles. Fiquei preocupado com este ato e perguntei-lhe por que ele faz isso? Então meu pai respondeu: "É uma caridade embrulhada com dignidade, meu filho".

Autor@ desconhecid@

sábado, 15 de julho de 2023

IGNORANDO OS CIVIS DO SUDÃO

1.

Após o fracasso das diplomacias dos Estados Unidos e da Arábia Saudita em obter mais um curto e relativo cessar-fogo no Sudão, o Egito convocou encontro de vizinhos do país em guerra. Da reunião saiu apenas mais um apelo à paz, daqueles que até os beligerantes fazem. Ditaduras vizinhas com as da Eritreia ou Chade (para falar só dessas) presentes na reunião, não estão nada interessadas numa verdadeira solução do conflito, ou seja, retomar a transição democrática, interrompida pelas duas forças armadas hoje em choque.

Ponto comum à movimentação dos Estados Unidos, Arábia Saudita, Egito e seus convidados é limitarem a busca de solução aos estados maiores dessas forças, deixando de lado as forças civis que constituem um importante contra-poder interno, com capacidade de pressão já demonstrada sobre os militares. É elementar para quem conhece os perfis das atuais chefias de guerra no Sudão que elas só vão parar se forem seriamente pressionadas.

A esta limitação diplomática – talvez intencional – soma-se a ignorância da larga maioria da media internacional, com raras exceções. Na media de língua portuguesa se há exceções nem se notam. Aliás, não é a primeira vez que, pelo silêncio, isolam agrupamentos ou iniciativas internas de vários países assolados por senhores da guerra.

Sobre o Mali, com razão destacam a presença da empresa Wagner e a retirada da Missão da ONU, mas não têm espaço para referir os movimentos oposicionistas malianos e os cerca de 75% de abstenção no recente referendo organizado pela junta militar. O mesmo acontece sobre a República Centro-Africana: falam da Wagner e da proposta de nova Constituição pelo governo, sem atribuir importância à acusação pela oposição democrática de que essa Constituição abre caminho a presidência vitalícia do país. No Leste da R.D. Congo os olhares diplomáticos e mediáticos vão para os governos de Kinshasa e Kigali, apesar da constante e arriscada atividade de movimentos sociais, como o Lucha, pelos direitos humanos.

2.

Todos os países africanos – incluindo os de língua portuguesa – têm movimentos sociais indispensáveis às democratizações e à definição de estratégias de desenvolvimento. Acordos de natureza vária, feitos no continente africano (ou sobre ele), desde os anos 1970, falharam em virtude do monopólio atribuído a formações políticas autoritárias ou totalitárias e discriminação contra agrupamentos de todas as dimensões, espontâneos e até clandestinos com frequência, reais porta-vozes da sociedade.

No Sudão, os comités de resistência estão ativos a nível de bairro ou pequena localidade, desde a queda de Omar El Bachir, ela própria resultante da ofensiva de um sindicato clandestino. Hoje, alguns deles são denominados comités de urgência, mantendo dispositivos de entre-ajuda no abastecimento, assistência médica, rotas de fuga e acolhimento. Grande parte realiza patrulhas ou observações sobre presenças militares nas proximidades e dispõem de canais de informação atualizada.

3.

É uma vasta rede que cobre quase todo o país. Alguma media mundial, com dificuldade em colocar correspondentes no terreno tem, recentemente, citado elementos dessas fontes de informação.

A coordenação destes comités inclui influentes políticos civis e militantes mais jovens, com experiência e coragem perante os riscos inerentes a uma situação deste tipo. Marginalizá-los, tanto nas articulações diplomáticas como nos noticiários, equivale a considerar que o crime compensa. Como já aconteceu em outros cenários.

Jonuel Gonçalves/15.07.23