O ataque tarifário dos USA domina dados e gera dúvidas gerais, começando pelos próprios USA, onde o índice Nasdaq ontem caiu na ordem dos 6% e hoje já vai nos 4% negativos. A alta nos custos das importações vai repercutir a curto prazo nos consumidores, na medida em que vários produtos importados são mais baratos que os norte-americanos, porque os custos de produção destes são mais elevados.
Trump volta ao princípio de priorizar o local, mesmo com riscos de inflação no curto prazo.
A China contra-atacou de novo e impôs níveis superiores a 30% sobre importações dos USA, agrícolas por exemplo.
A União Europeia prepara plano de retaliação e Macron já pediu aos investidores europeus que suspendam seus projetos USA.
Na África, a economia sul-africana é a que parece em maior risco de sofrimento, com 30% adicionais num fluxo comercial importante. Isto ocorre em momento de alta tensão dentro do governo de unidade nacional, por motivos orçamentais. Mas pequenas economias como Madagascar ( baunilha) e Maurício ( indústria textil) também fazem novas contas.
Quanto ao Brasil, as altas de 10% vão atingir o aço ( que já tinha sofrido acréscimo de 25%, ainda em provável negociação), etanol e material aéreo. Vantagens relativas nos agrícolas e outros produtos de elevado consumo. Nestes casos, tanto no mercado dos USA como da China.
Tudo indica que o Brasil continua em posição de negociar e a Casa Branca declarou abertura para negociar de forma geral. É evidente que podem fazer algumas concessões, porém, sem saírem de seus próprios termos. A geração de dúvidas sobre rumos faz parte desta técnica de guerra econômica. Assim, a inflação tem margem para subir ou se estabilizar, com impactos políticos decisivos. A maioria em qualquer sociedade opta em função de suas condições de vida.
O diretor da Reserva Federal, Jerome Powell pode falar a qualquer momento e, entretanto, os dados do mercado de trabalho nos USA em março apontam 228 mil novos empregos.
Como é lógico nas atuais negociações sobre hegemonia mundial, a Rússia está totalmente fora do tarifaço, embora Trump seja citado como muito impaciente perante ausência de resposta por Putin às propostas do acordo na Ucrânia.
Todo este quadro pode determinar nova lista de regras, ficando melhor quem mais rapidamente se adaptar ou então virar caos de longa duração onde resistirá quem se reforçar a nível do vital e a nível das grandes inovações. Inseparáveis!