sábado, 19 de maio de 2018
casamento, cor ou novamente pretextos
reportagens e conversas generalizadas sobre o casamento aristocrático britânico. Entre outras coisas aparece - era inevitável - papo racial. Dizem que agora entrou uma negra ou uma afro ou uma africana-americana na corte inglesa e que isso muda muito. No facebook vi uma afirmação de bom senso: a Meghan considera-se birracial, isso nos USA é equivalente a dizermos mestiça e, acrescenta a mesma pessoa, há gente que tenta sempre fazer engolir a pilula de " uma gota de sangue". Tenho tido vários choques com detentores/as dessa psicose ou servindo-se dela como simples camuflagem de racismo. Tá aí uma coisa que aprendi há muito a não discutir: ou nos afastamos desses papos ou lutamos contra. A propósito, outra informação histórica: no século XVIII um rei inglês (acho que Jorge III) casou com uma negra ou mestiça, ainda não confirmei nem me vou preocupar em confirmar.
terça-feira, 15 de maio de 2018
pintura de Ale
Acabo de receber de minha amiga de décadas, Alejandra Carvajal, agora residente em Buenos Aires. Obrigado Ale
Cannes através do "Liberation"
O diário parisiense "Libération" ( ou apenas "Libé") continua a produzir as melhores páginas de cobertura do Festival Cinematográfico de Cannes. Na edição de ontem dava destaque ao veterano J.L.Godard e seu filme "Le livre d'image". Destaque também para "Les filles du Soleil" sobre as combatentes curdas, direção de Eva Husson e "Teret" ambientado na guerra do Kosovo. Na verdade 3 filmes sobre guerras. O filme chinês "Les eternels" é também objeto de analise no Libé de ontem. Dirigido e interpretado por figuras muito conhecidas: o diretor Jia Zang-ke e a atriz Zhar Tao, que pode obter o prémio de interpretação feminina. Referencias a vários outros dos diversos centros de exibição do festival.
domingo, 13 de maio de 2018
Eleições em Timor Leste (2)
Confirmada vitória da AMP (agrupamento de três partidos) com maioria absoluta. Xanana Gusmão pode ser o próximo primeiro ministro. A sua principal promessa em economia é iniciar o tratamento do petróleo bruto no país e não na Austrália, como até aqui.
sábado, 12 de maio de 2018
Eleições em Timor Leste
Com perto de 25% dos votos contados, a Aliança da Mudança para o Progresso (AMP), liderada pelo ex chefe guerrilheiro Xanana Gusmão, ultrapassa 49% dos votos. O atual governo, onde a Fretilin (de tradição histórica marxista) tem o maior peso, está pouco acima de 33%. Mais duas formações atingem os 4% necessários para entrar no parlamento: o Partido Democrático ( na faixa dos 8%) e a Frente Desenvolvimento Democrático (6%).
sexta-feira, 11 de maio de 2018
Irregulares e Decididos/as (3) - agressão à mulher e resistência
No começo da semana a direção da biblioteca universitária de Lusaka (Zâmbia) emitiu uma nota onde intimava as alunas a "não virem com roupa de semi nuas" porque isso perturba os alunos. Frase parecida com a de um oficial de policia no Canadá, ano passado, ao acusar as vitimas de agressão sexual em virtude de suas roupas. Mobilização imediata na Universidade zambiana pelo direito de cada uma decidir o seu vestuário e a referida direção recuou da medida, tanto mais estupida por se tratar de país da África Austral, a região do mundo com maior numero de mulheres camponeses que não usam roupa da cintura para cima (são milhões). Muita gente mal informada em vários países, acredita que África é toda palco de mutilação sexual da mulher (ablação do clitoris). Falso. Isso ocorre numa faixa saheliana (por vezes com prolongamentos nas respectivas diásporas) e é motivo de resistência, havendo mesmo livros importantes sobre essa luta, por exemplo, o da senegalesa Awa Thiam ("A palavra às Negras") ou da somali Warris Dirie ("Flor do deserto" adaptado ao cinema), além de testemunhos em artigos, entrevistas e livros.
Por outro lado, há zonas da África Central onde se passa oposto à mutilação, ou seja, é a celebração e estímulo do orgasmo feminino, como dado cultural profundo. Recentemente minha amiga Nanda Barros reproduziu um trabalho do nofi.fr sobre o Ruanda onde esta atitude tem inclusive nome: Kunyaza.
O surgimento dos jihadistas em regiões do Sahel - e tentativas em outros pontos (como na Republica Centrafricana, norte de Moçambique, Tanzânia, etc.) - tem aproveitado a tradição de mutilações para impôr mais repressão á mulher, cuja presença é por eles julgada "perturbadora do homem". E também atuam através de regras repressivas do vestuário, considerando o corpo da mulher como pecaminoso que, portanto, tem de ser escondido. Ao mesmo tempo, em zonas como o norte da Nigéria e proximidades do lago Chade, fazem constantes raptos de adolescentes.
Tudo isto também provoca natural resistência e alguns grupos usam a imagem erótica ou a auto defesa armada como armas para os contrariar e combater. Este blog tem dado apoio a essa luta, sob varias formas, inclusive na guerra de imagens, como estas duas de amor e carinho que muito enfurecem o inimigo e seguem a linha de Kunyaza.
de Alicia Rkiho in Instagram, reproduzido em ilustração de poemas por
Anna Lirio Lobo
Mas é justo definir que esse inimigo não se limita a áreas extremas da religião muçulmana, situando-se também em fundamentalistas cristãos ou até pessoas ditas materialistas. Seja como for, estes elementos são componentes da opressão feminina que, em África, abre caminho a muitos outros e atinge um ponto vital:a segurança. Mas há outros e não só no continente africano. Nesta serie falaremos deles.
Por outro lado, há zonas da África Central onde se passa oposto à mutilação, ou seja, é a celebração e estímulo do orgasmo feminino, como dado cultural profundo. Recentemente minha amiga Nanda Barros reproduziu um trabalho do nofi.fr sobre o Ruanda onde esta atitude tem inclusive nome: Kunyaza.
O surgimento dos jihadistas em regiões do Sahel - e tentativas em outros pontos (como na Republica Centrafricana, norte de Moçambique, Tanzânia, etc.) - tem aproveitado a tradição de mutilações para impôr mais repressão á mulher, cuja presença é por eles julgada "perturbadora do homem". E também atuam através de regras repressivas do vestuário, considerando o corpo da mulher como pecaminoso que, portanto, tem de ser escondido. Ao mesmo tempo, em zonas como o norte da Nigéria e proximidades do lago Chade, fazem constantes raptos de adolescentes.
Tudo isto também provoca natural resistência e alguns grupos usam a imagem erótica ou a auto defesa armada como armas para os contrariar e combater. Este blog tem dado apoio a essa luta, sob varias formas, inclusive na guerra de imagens, como estas duas de amor e carinho que muito enfurecem o inimigo e seguem a linha de Kunyaza.
de "Luso Poemas" - site Poetris
de Alicia Rkiho in Instagram, reproduzido em ilustração de poemas por
Anna Lirio Lobo
Mas é justo definir que esse inimigo não se limita a áreas extremas da religião muçulmana, situando-se também em fundamentalistas cristãos ou até pessoas ditas materialistas. Seja como for, estes elementos são componentes da opressão feminina que, em África, abre caminho a muitos outros e atinge um ponto vital:a segurança. Mas há outros e não só no continente africano. Nesta serie falaremos deles.
quinta-feira, 10 de maio de 2018
Montes Golan
As forças armadas de Israel (IDF) anunciaram que suas posições nos Montes Golan foram alvejadas por 20 roquetes e responderam com massivo lançamento de misseis contra posições iranianas em território sírio. Ontem o governo sírio anunciou ter usado a sua defesa anti-misseis contra um ataque de Israel. A TV síria mostrou imagens dessa operação. Israel considera a presença de tropas iranianas na Síria como ameaça grave e apoia a recente decisão de Trump em não assinar o acordo nuclear. Estes ataques podem prenunciar uma situação de confronto prolongado e, se tal acontecer, será grande a influência na guerra síria. Os montes Golan foram ocupados por Israel na guerra dos seis dias (1967) e posteriormente anexados, atitude sem reconhecimento internacional. Israel também considera Jerusalém como capital, apesar da maior parte dos países considerarem Tel Aviv. Os USA recentemente decidiram reconhecer Jerusalém e dentro de dias inauguram a sua embaixada nesta cidade.
Assinar:
Postagens (Atom)





