sábado, 4 de outubro de 2014

Minha intervenção na terça às 19 horas.

campanha eleitoral.


Os debates eleitorais nem sempre foram de alto nível mas, como escreve Fernando Rodrigues na sua coluna da "Folha", nenhum dos candidatos  representa  ameaça institucional.  "Cada um ao seu modo, Dilma, Marina e Aécio tocarão o Brasil mais ou menos dentro dos parâmetros  adotados  a partir da eleição de Fernando Henrique Cardoso em 1994 - apesar de os três não serem candidatos idênticos".

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Hong Kong, a idade da rebeldia e o ranking universitário

Prossegue o maior movimento de desobediência civil pró democracia da atualidade, em Hong Kong, território autônomo chinês e terceira maior praça financeira do mundo. Se tiver capacidade para ação prolongada, vai exercer efeitos de grande peso na  configuração mundial a vários níveis. Mas desde já fica novamente demonstrado que a reivindicação de liberdade aparece em todo o mundo, incluindo áreas de alto nível de vida. Enganam-se os que pensam  em políticas de expansão econômica e vantagens sociais como substituto da democracia. Os povos querem a expansão, o bem estar social E a democracia,
O líder mais visível das manifestações  em HK é um estudante de 17 anos, Joshua Wong, surpreendendo muita gente. Na verdade há muitos outros casos na História. Na Revolução francesa um jovem dessa idade comandou unidades militares e pouco depois chegaria ao alto oficialato. Na resistência anti nazi-fascista europeia, essa era a idade de muitos combatentes e  em Luanda, há cerca de meio século, havia uma célula anti-colonialista muito ativa cujos membros tinham todos cerca de 16 anos.

Quase a propósito: O The Times Higher Education (THE) publicou a sua  classificação mundial de universidades, 2014/2015, incluindo um total de 400. Metade - portanto duzentas - são vistas como o topo do ensino superior global. Das 10 primeiras, 8 são dos Estados Unidos ( com o Caltec em primeiro e Harvard em segundo) e 2 do Reino Unido (Oxford e Cambridge). África tem uma no grupo das 200: a Universidade de Cape Town (UCT) está em 124° lugar.
A melhor classificada dos países de língua portuguesa e da América Latina é a Universidade de São Paulo (USP) mas abaixo dos 200.
Na área das Ciências Sociais (abrangendo várias  disciplinas, entre as quais Economia e Relações Internacionais), são mencionadas 100. Também estão na frente 8 USA e 2 UK. A este nível a UCT ocupa o lugar 57, não havendo nenhuma de língua portuguesa. Ainda nesta mesma  área, a melhor dos emergentes é uma Universidade de Hong Kong (em 29°).

sábado, 27 de setembro de 2014

Ultra Identitários

A insistência nos  chamados "valores identitários" - já sabemos - quase sempre  significa "raça" e racismo de forma camuflada. O ultra identitário é a exacerbação de tal discurso, é a sua completa racificação. A "raça" como determinante absoluto. Ora, pessoas de diversas raças podem ter uma mesma cultura e nacionalidade; pessoas da mesma raça estão divididas por várias classes sociais, têm ideologias diferentes e há opressores e oprimidos nas várias raças, ao longo da História e hoje.   Fazer da "raça" o elemento definidor das pessoas é equivalente ao fundamentalismo politico-religioso que define as opções politicas e de comportamento através da religião.
Os racistas tradicionais ficam muito felizes com estas aparições vocalizadas - uma camarada dos tempos da luta pela descolonização de Angola  dizia "salivadas" - por  teóricos/as do diferencialismo. Quer dizer, aqueles/as que buscam obsessivamente as pequenas coisas que nos diferenciam, enquanto nós afirmamos as muitas que nos fazem semelhantes, com os mesmos direitos  e obrigações.
Já tive a ocasião de escrever  como o exacerbar identitário nos leva ao paroxismo da violência (em "Relato de Guerra Extrema"- edição angolana pela Mayamba; edição brasileira pela Garamond)) mas agora   escrevo a propósito do V Seminário sobre Línguas Africanas (SIALA) organizado na UNEB, Salvador.
Nenhuma  crítica aos organizadores, a quem não cabem responsabilidades pelas afirmações no encontro.  e, apesar, de estar muito longe dessa disciplina, fiquei feliz de ter sido convidado e ter apresentado em ritmo de corrida de 100 metros o tema que me pediram (sobre as relações Brasil-Angola).
Foi nesse ritmo porque a mesa redonda respectiva começou com  muito atraso e  os 3 palestrantes (ver foto nesta postagem) tiveram  de se auto-limitar, não havendo sequer espaço para debate.

 Depois disso aproveitei para assistir a outras duas mesas redondas, ambas sobre literatura e foi nelas que choquei com a tal obsessão  das identidades e o consequente diferencialismo. Nesse quadro houve quem fizesse mesmo uma hierarquia  com base em detalhes (tirados de poesias) pretensamente criadores de identidades e  até de legitimidades. Detalhes ridículos se comparados com outros elementos e sacrifícios, baseados no combate com risco de  vida e no posicionamento frontal contra inimigos  poderosos.
Os ultra identitários/as nunca estiveram nesses combates. Como falamos de literatura, cito  Alexis Jenni: "na vida de vocês não há nada que tenha podido servir de forja". Nada! Só postura declaratória, destinada a criar isolamentos, guetos e  espaços restritos de exibição e carreira.
Fiz duas perguntas, com premissas opostas  ao diferencialismo e aos racismos (tal como Hamilton T. Ford também acho que são vários),  e recebi uma espiral de frases  sem resposta concreta. O ultra identitário não tem respostas, tem dogmas autistas, eu já sabia. As perguntas destinavam-se a marcar posição perante o impasse racista no Brasil, que só será quebrado quando ligarmos o combate antirracista aos outros combates contra as opressões, dominações e atrasos. 

Sobre África em si, notei uma tendência para  olharem África através do periodo colonial e seus símbolos, inclusive assimilando a sistemas políticos europeus as formas de poder existentes no continente africano antes da chegada desses mesmos europeus. África atual, seus problemas  e  pensadores foram largamente esquecidos. Intelectuais como Achille Mbembe ou Axel Kabou são simplesmente desconhecidos e a referência a  Kwame  A. Appiah foi de 3 ou 4 segundos e nem  sequer uma palavra sobre  seu livro"Cosmopolitismo", eixo central da sua trajetória. Se conhecessem Mbembe iriam ver algo parecido, designado por afropolitanismo, formulação nos antípodas dos ultra-identitários.
Gostei de participar no V SIALA. Para quem trabalha com economia e relações internacionais  foi uma novidade. E gostei  a ponto de, ao regressar, fazer esta postagem. O debate continua aberto.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

IBGE afirma que se enganou nos dados sobre desigualdade social no Brasil

Sobre a Pesquisa  Nacional  por Amostragem de Domicílios de 2013, o IBGE corrigiu vários dados do seu relatório de ontem  relativos à situação social no país. Assunto que promete polêmica e desde já levanta suspeitas.
Reproduzo o quadro elaborado pela UOL, comparando os dados iniciais com a  correção de hoje:
  • Desigualdade: divulgado ontem:
    A 1ª versão da Pnad 2013 registrava uma alta de 0,499 ante 0,496 em 2012
  • Desigualdade: dados corrigidos:
    Com a correção em erros de amostragem, o índice teve uma queda para 0,495

  • Renda de trabalho: divulgado ontem A renda de trabalho registrava uma alta de 5,7%  Renda de trabalho: corrigidos A alta na renda de trabalho era, na verdade, um pouco menor: 3,8%
  • Renda média: divulgado ontem
    A renda média do brasileira foi estimada em R$ 1.681
  • Renda média: dados corrigidos
    A renda média, após a correção na amostragem, baixou para R$ 1.651

  • Analfabetismo: divulgado ontem : A pesquisa registrou uma queda de 8,7% no analfabetismo.  Analfabetismo: dados corrigidos. Com a correção, a queda ficou  menor: 8,5% 

mundo nesta sexta feira


Dois aviões "Rafale" (significa: rajada) franceses, saídos de base nos Emiratos, atacaram posições do EI no Iraque.  Vai ser guerra prolongada.  Em New York as ações da Alibaba - empresa chinesa de ecomércio - subiram cerca de 38% e vão mobilizar mais de 21 bi de USD. A Escócia rejeitou separar-se do Reino Unido. Dilma e Marina muito próximas uma da outra em intenções de voto. População da Serra Leoa confinada em casa por 3 dias em virtude de plano oficial de combate a Ebola com 20 mil agentes sanitários. Também vai ser guerra prolongada.
Estou vendo no you tube o filme "Santos e Soldados". Parei a imagem para atualizar o blog e agora vou voltar.