Ontem, vendo a manifestação no centro do Rio, pareceu-me que tanto nesta cidade como em São Paulo e Belo Horizonte há uma base de protesto com cerca de 5 mil pessoas cada, enquanto o nível de Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília estaria em torno das 2 mil. Mobilizações maiores a partir de agora exigem ou uma grande crise ou uma campanha estruturada.
Lula disse que não criticou Dilma nem em publico nem em privado e no Congresso, governo e oposição marcam diferenças propondo plebiscito ou referendo para concretizar uma reforma política...cujo alcance ainda nenhum dos lados definiu.
Na África Ocidental, o presidente da comissão eleitoral do Mali tem algumas duvidas sobre a realização das eleições na data prevista (28 de julho) e sobre a Guiné Bissau toda a região deseja que a data proposta (24 de novembro) seja respeitada e respeitado o resultado da votação.
Na África do Sul as noticias sobre o estado de saúde de Mandela dependem de quem fala. A ex esposa Winnie disse que ele melhorou muito. A Presidência que ele melhorou um pouco . A mídia que ele está ligado a maquina para respirar e os diplomatas USA são mencionados como cheios de preocupações pelos efeitos de eventual falecimento sobre a visita de Obama atualmente em curso no país.
Passei na livraria Leonardo da Vinci e comprei o romance histórico "O poder erótico" da austríaca Gloria Kaizer, sobre as relações do Padre Antônio Vieira com a rainha Cristina da Suécia. No século XVII, portanto. Para amenizar as leituras obrigatórias em função das aulas, tenho 3 livros em alternância. Um é um "what's if", ou seja, simulação sobre como seriam as coisas se em 1940 a França não se tivesse rendido ao Hitler. O outro é "Estados de violência" reflexão geral do Frederic Gros". Continuo com o romance "Sermão sobre a queda de Roma" mencionado em postagem anterior, titulo simbólico pois passa-se nos nossos dias.
E como estou cansado, a semana foi dura, lembro um título de filme: "Thanks God its Friday".
sexta-feira, 28 de junho de 2013
quarta-feira, 26 de junho de 2013
sobre o debate de hoje na UFF
O debate mencionado na postagem de domingo e realizado esta manhã, foi excelente porque permitiu uma reflexão de conjunto da qual eu sentia falta. O auditório estava cheio. Tive que sair antes da terceira intervenção, mas achei interessantes as dos Professores Adriano e Christiane. No fundo uma completou a outra, mesmo quando não usavam os mesmos critérios. Neste momento o Brasil está com bastantes debates deste tipo e em todos emerge a necessidade de se localizar uma agenda comum e até uma articulação mínima. Manifestar como bando errante (mesmo com multidões) cansa e nem os mínimos se consegue.
Na verdade, tanto os manifestantes como a classe política revelam perplexidade. Os deputados aprovam leis em alta velocidade, assustados; os protestos agora fazem-se para manter a chama mas sem verdadeiro rumo.
Entre os temas surgidos nas ultimas 24 horas, um parece-me importante e se for alcançado já seria bom: abrir espaço para candidaturas independentes, do poder local ao federal. Obrigaria os partidos a perderem a arrogância do monopólio, revitalizava a democracia, aumentava a liberdade de expressão e escolha e ajudava a mais presença da sociedade na fixação de prioridades. Ajudava até os militantes mais sérios de alguns partidos.
Sobre as recentes concessões do poder, por exemplo em matéria de combate à corrupção e verbas para a educação, seus níveis de implementação dependem dos níveis de mobilização social. Não é possível (nem desejável) manifestações eternas, mas voltar ao conformismo dos últimos anos faria destas semanas um período de boa diversão e nada mais.
A questão central em todos os processos de mudança ao longo da História permanece: como a sociedade conquista ( e mantem) mais poder e como isso obriga a mais justiça e menos sufoco no cotidiano.
Na verdade, tanto os manifestantes como a classe política revelam perplexidade. Os deputados aprovam leis em alta velocidade, assustados; os protestos agora fazem-se para manter a chama mas sem verdadeiro rumo.
Entre os temas surgidos nas ultimas 24 horas, um parece-me importante e se for alcançado já seria bom: abrir espaço para candidaturas independentes, do poder local ao federal. Obrigaria os partidos a perderem a arrogância do monopólio, revitalizava a democracia, aumentava a liberdade de expressão e escolha e ajudava a mais presença da sociedade na fixação de prioridades. Ajudava até os militantes mais sérios de alguns partidos.
Sobre as recentes concessões do poder, por exemplo em matéria de combate à corrupção e verbas para a educação, seus níveis de implementação dependem dos níveis de mobilização social. Não é possível (nem desejável) manifestações eternas, mas voltar ao conformismo dos últimos anos faria destas semanas um período de boa diversão e nada mais.
A questão central em todos os processos de mudança ao longo da História permanece: como a sociedade conquista ( e mantem) mais poder e como isso obriga a mais justiça e menos sufoco no cotidiano.
terça-feira, 25 de junho de 2013
pós blackitude
A expressão blackness, criada nos Estados Unidos, é difícil de traduzir para português. Negritude é uma possibilidade, mas pode ser confundida com a teoria em si. Blackitude, usada em alguns meios, parece-me a + próxima, mas também podíamos ir por "consciência negra" ou a ridícula "normas definidores de negro/a". Neste período de agonia de Nelson Mandela procuro noticias todos os dias e, no "Mail & Guardian" de Joanesburgo, encontrei na reprodução do blog de professores da Universidade de Rhodes (Cabo Oriental, África do Sul") um pequeno artigo referindo "post blackness" citando o livro de Touré, cuja capa está no começo desta postagem.
Leio tudo o que me chega da Rhodes, que conheci há anos quando fui lá perto ao National Arts Festival e porque lá lecionou meu grande amigo Peter Vale, na cátedra Nelson Mandela. E quando o assunto é a superação das linhas raciais, interessa-me ainda +.
É por isso que centrei esta postagem num livro que não li. Apenas li uma entrevista do autor, que é negro e critico cultural da MSNBC. Parece-me na linha de Gaston Kelman, autor de "Sou negro mas não gosto de mandioca" (que causou um alarido emocional), "Para além de negro e branco", etc. Traduzi os títulos para português mas não há tradução.
domingo, 23 de junho de 2013
Terra em Transe
Título inspirado em velho filme de Glauber Rocha.
Os temas mais comuns nas manifestações através do Brasil mudam para rejeição da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 37) e sobre gastos públicos. Maior concentração ontem foi em Belo Horizonte - 125 mil pessoas, segundo UOL e 70 mil segundo O Globo. Mesma característica de sempre nos métodos - pacíficos na maior parte do tempo e violentos em pontos sensíveis com grupos menores. Cerca de 20 feridos e a apreensão de gasolina destinada ao fabrico de "coquetéis Molotov". Em São Paulo 30 mil pessoas e violência muito escassa. Em Santa Maria (RS) cerca de 20 mil, numero importante dada a dimensão da cidade. Em Brasília 3 manifestações separadas, a maior das quais foi a "Marcha das Vadias". Manifestações menores e localizadas em bairros do Rio (zonas Norte e Sul), Salvador, Teresina, Curitiba, Fortaleza, Mossoró, Recife. Pelo menos.
Pesquisa da revista "Época". assinala 69% dos brasileiros satisfeitos com suas vidas mas, apesar disso, 75% apoiam as manifestações. A satisfação pessoal não impede as pessoas de combaterem a corrupção e outros problemas originados na estrutura política.
Campanhas existentes antes da atual vaga e entidades profissionais (professores, por exemplo) desempenham papel cada vez maior nas convocações.
Na cidade histórica de Ouro Preto:
No resto do mundo, greve geral na Grécia em defesa do audiovisual publico, confrontos causam um morto nas eleições da Albânia, atentado suicida na Siria, reunião dos países membros da Comissão do Golfo da Guiné para analisar segurança na área ameaçada por constantes atos de pirataria e o autor das denuncias sobre monitoramento de internet e telecomunicações pela NSA dos USA, Edward Snowden, saiu de Hong Kong num avião da Aeroflot em direção à Rússia, mas o destino final pode ser a Islândia, Equador, Cuba ou Venezuela, segundo o Le Monde .
Os temas mais comuns nas manifestações através do Brasil mudam para rejeição da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 37) e sobre gastos públicos. Maior concentração ontem foi em Belo Horizonte - 125 mil pessoas, segundo UOL e 70 mil segundo O Globo. Mesma característica de sempre nos métodos - pacíficos na maior parte do tempo e violentos em pontos sensíveis com grupos menores. Cerca de 20 feridos e a apreensão de gasolina destinada ao fabrico de "coquetéis Molotov". Em São Paulo 30 mil pessoas e violência muito escassa. Em Santa Maria (RS) cerca de 20 mil, numero importante dada a dimensão da cidade. Em Brasília 3 manifestações separadas, a maior das quais foi a "Marcha das Vadias". Manifestações menores e localizadas em bairros do Rio (zonas Norte e Sul), Salvador, Teresina, Curitiba, Fortaleza, Mossoró, Recife. Pelo menos.
Pesquisa da revista "Época". assinala 69% dos brasileiros satisfeitos com suas vidas mas, apesar disso, 75% apoiam as manifestações. A satisfação pessoal não impede as pessoas de combaterem a corrupção e outros problemas originados na estrutura política.
Campanhas existentes antes da atual vaga e entidades profissionais (professores, por exemplo) desempenham papel cada vez maior nas convocações.
Na cidade histórica de Ouro Preto:
No resto do mundo, greve geral na Grécia em defesa do audiovisual publico, confrontos causam um morto nas eleições da Albânia, atentado suicida na Siria, reunião dos países membros da Comissão do Golfo da Guiné para analisar segurança na área ameaçada por constantes atos de pirataria e o autor das denuncias sobre monitoramento de internet e telecomunicações pela NSA dos USA, Edward Snowden, saiu de Hong Kong num avião da Aeroflot em direção à Rússia, mas o destino final pode ser a Islândia, Equador, Cuba ou Venezuela, segundo o Le Monde .
sábado, 22 de junho de 2013
Balanço provisório dos protestos
Em menos de duas semanas, as manifestações passaram de algumas centenas de pessoas, quase todas em São Paulo, a mais de um milhão em 400 cidades.
A pesquisa Datafolha realizada durante a manifestação de ontem em São Paulo dá importantes indicações. A motivação principal é a corrupção, a maioria tem preferência pelo juiz Joaquim Barbosa, seguido de Marina da Silva, para a Presidência da Republica, só 25% defende a tarifa zero para os transportes estando a maioria a favor de R$ 2 e a maior parte dos manifestantes não tem partido. Para alem da pesquisa, está evidente que o problema da tarifa foi mero detonador, a insatisfação com muitos aspectos da vida real generalizou-se. Há muito tempo existe o sentimento de sufoco e insegurança até de andar nas ruas, agravado por serviços públicos insuficientes ou indecentes. Claro que um Estado incapaz de garantir esses direitos básicos acaba virando alvo.
Esta realidade, num país onde se trabalha de 3 a 4 meses para pagar impostos, é o dado central da vida e derruba qualquer propaganda.
Outro detonador foram as despesas com os estádios, mas seria um erro boicotar a Copa do Mundo, no próximo ano. Dividiria o país, além de que sua existência dá mais visibilidade aos protestos. Protestos e futebol não são incompatíveis nem se prejudicam. Romário tem razão: a FIFA manda no Brasil e deve receber avisos sérios de que tal arrogância é inaceitável
No discurso de ontem a Presidente Dilma propôs um pacto de melhoria dos serviços públicos (transportes, saúde e educação) - com governadores e prefeitos de grandes Estados e cidades. Também afirmou que os investimentos para a Copa do Mundo terão retorno. Em entrevista à Folha de São Paulo o ex Presidente Fernando Henrique considera os protestos como diferentes por partirem de grupos sociais não organizados e duvida que os partidos políticos assimilem a mensagem das manifestações. Considerou o encontro Alckmin-Haddad representativo do atual esquema de poder.
O Movimento Passe Livre está desorientado. Primeiro disse que suspendia os apelos a manifestar mas depois corrigiu. Não sei se estão na duvida ou se há duas linhas, mas parece evidente que a questão dos transportes está cada vez mais inserida em outras reivindicações de dimensão maior. O espirito geral no país é de prosseguir os protestos, mas se não houver uma linha orientadora precisa e visível, em bases autônomas, é provável que alguns partidos e sindicatos assumam a liderança. Ou seja criado um vazio e os protestos voltem ao nível do desabafo individual.
Tenho constatado 4 tipos de comportamento nas manifestações: os não-violentos contrários a toda a classe política seriam cerca de 80%. Em torno de 10% seriam manifestantes também não-violentos mas seguidores ou militantes de alguns partidos ou personalidades. Os restantes 10% dividem-se entre ativistas da política do confronto com a policia e depredações e delinquentes que fazem a mesma coisa mas sem motivação política.
Se não há segurança em nada na rua, como poderia haver segurança em manifestações massivas? O modelo de crescimento em vigor tem beneficiários (as camadas altas, sejam tradicionais ou recentes) e tem prejudicados (os pobres de sempre e as camadas subalternas às vezes incluídas erradamente na "nova classe média" ). É ridículo apresentar como classe média famílias cuja renda mensal equivale + ou - a dois salários mínimos. Definindo por indicadores: é pobre neste país quem tem de recorrer a transportes públicos, ao SUS, a escola publica e não vive em habitação decente. Outro dado da realidade: continuamos com uma camada numerosa de muito pobres, na medida em que aquela linha dos dois US$ diários, mantida estupidamente pelo Banco Mundial, não serve para medir nada.
Dois elementos importantes para concluir: 1.a propaganda partidária é como certas operações financeiras malabaristas - de repente vira bolha e se desfaz.; 2.o Brasil conquistou um nível de liberdades democráticas que implicou muitos sacrifícios; não podem ser abandonadas e permitem um alto nível de pressão pacifica sobre o poder.
Hoje estão convocadas cerca de 30 manifs estando em primeiro plano o PEC 37 (perda de poderes de averiguação importantes pelo judiciário). E o Brasil joga com a Itália na Copa das Confederações. Ao contrario das declarações de Pelé, é possível acompanhar e apoiar ambos.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Reporter mexicana fala da Copa em Copa
Vero Rodriguez, enviada especial de TV mexicana online, para cobertura da Copa das Confederações mandou assim seu comentário do dia, direto da praia de Copacabana. Aqui pertinho do meu apê.
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