sábado, 22 de junho de 2013

Balanço provisório dos protestos

 
 

Em menos de duas semanas, as manifestações passaram de algumas centenas de pessoas, quase todas em São Paulo, a mais de um milhão em 400 cidades.
A pesquisa Datafolha realizada durante  a manifestação de ontem  em São Paulo dá importantes indicações. A motivação principal é a corrupção, a maioria tem preferência pelo juiz Joaquim Barbosa, seguido de Marina da Silva, para a Presidência da Republica, só 25% defende a tarifa zero para os transportes estando a maioria a favor de R$ 2 e a maior parte dos manifestantes não tem partido. Para alem da pesquisa, está evidente que o problema da tarifa foi mero detonador, a insatisfação com muitos aspectos da vida  real generalizou-se. Há muito tempo existe o sentimento de sufoco e insegurança até de andar nas ruas, agravado por serviços públicos insuficientes ou indecentes. Claro que um Estado incapaz de garantir  esses direitos básicos acaba virando alvo.
Esta realidade, num país onde se trabalha de 3 a 4 meses  para pagar impostos, é o dado central da vida e derruba qualquer propaganda.
Outro detonador foram as despesas com os estádios, mas seria um erro boicotar a Copa do Mundo, no próximo ano. Dividiria o país, além de que sua existência dá mais visibilidade aos protestos. Protestos e futebol não são incompatíveis nem se prejudicam. Romário tem razão: a FIFA manda no Brasil e  deve receber  avisos sérios de que tal arrogância é inaceitável
No discurso de ontem a Presidente Dilma propôs um pacto de melhoria dos serviços públicos (transportes, saúde e educação) - com governadores e prefeitos de grandes Estados e cidades. Também afirmou que os investimentos para a Copa do Mundo terão retorno. Em entrevista à Folha de São Paulo o ex Presidente Fernando Henrique considera os protestos como diferentes por partirem de grupos sociais não organizados e duvida que os partidos políticos  assimilem a mensagem das manifestações. Considerou o encontro Alckmin-Haddad  representativo do atual esquema de poder.
O Movimento Passe Livre está desorientado. Primeiro disse que suspendia os  apelos a manifestar mas depois corrigiu. Não sei se estão na duvida ou se há duas linhas, mas parece evidente que a questão dos transportes está cada vez mais inserida em outras reivindicações de dimensão maior. O espirito geral no país é de prosseguir os protestos, mas se  não houver uma linha orientadora precisa e visível, em bases autônomas, é provável que  alguns partidos e sindicatos assumam a liderança. Ou seja criado um vazio e os protestos voltem ao nível do desabafo individual.
Tenho constatado 4 tipos de comportamento nas manifestações: os não-violentos contrários a toda a classe política seriam  cerca de 80%.  Em torno de 10% seriam  manifestantes também não-violentos mas  seguidores ou militantes de alguns partidos ou personalidades. Os restantes 10% dividem-se entre  ativistas da política do confronto com  a policia e depredações e  delinquentes que fazem a mesma coisa mas sem motivação política.
Se não há segurança em nada  na rua, como poderia haver segurança em manifestações massivas? O modelo de crescimento em vigor  tem beneficiários (as camadas altas, sejam tradicionais ou recentes) e tem prejudicados (os pobres de sempre e as camadas  subalternas  às vezes incluídas erradamente na "nova  classe média" ). É ridículo apresentar como classe média famílias cuja renda mensal  equivale + ou - a dois salários mínimos. Definindo por indicadores: é pobre neste país quem tem de recorrer a transportes públicos, ao SUS, a escola publica  e não vive em habitação decente. Outro dado da realidade: continuamos com uma camada numerosa de muito pobres, na medida em que aquela linha dos dois US$ diários, mantida estupidamente pelo Banco Mundial, não serve para medir nada.
Dois elementos importantes para concluir: 1.a propaganda partidária é como certas operações financeiras  malabaristas - de  repente vira bolha e  se desfaz.; 2.o Brasil conquistou um nível de liberdades democráticas que implicou muitos sacrifícios; não podem ser abandonadas e permitem um alto nível de pressão pacifica sobre o poder.
Hoje estão convocadas  cerca de 30 manifs  estando em primeiro plano o PEC 37 (perda de poderes de averiguação importantes pelo judiciário). E o Brasil joga com a Itália na Copa das Confederações. Ao contrario das declarações de Pelé, é possível acompanhar e apoiar ambos.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Reporter mexicana fala da Copa em Copa

Vero Rodriguez, enviada especial de TV mexicana online,  para cobertura da Copa das Confederações mandou assim seu comentário do dia, direto da praia de Copacabana. Aqui pertinho do meu apê.

continua ou vai acabando?

O Movimento Passe Livre (MPL) que convocava as manifestações de São Paulo ( e mais algumas cidades) anuncia o fim das suas convocatórias, decisão geradora de fortes criticas  de internautas, alguns acusando-o de ligação ao PT ou a  partidos políticos. Tanto a decisão como os  ataques, estão ligados à polemica sobre aceitação ou não de partidos políticos nos protestos e se a questão do transporte publico é a única agenda.
Quer dizer: estamos perante um movimento social abrangente ou uma campanha limitada?
A FIFA também ameaçou que acabava com a Copa das Confederações se a insegurança se mantivesse. Mas depois, alguém lhes lembrou que isso é chantagem acrescida de estupidez e vem agora dizer que  foi mal compreendida.... 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Aumentos anulados


Visivelmente contrariados os  governadores e prefeitos de São Paulo e Rio anunciaram anulação temporária dos aumentos nos transportes coletivos urbanos e disseram que isso vai causar cortes de investimentos em outras áreas, insinuando, portanto, responsabilidade dos protestos. Ontem governadores e prefeitos de outros Estados e cidades tinham anunciado decisões semelhantes. O Movimento Passe Livre (MPL) vai manter a manifestação de amanhã em SP para comemorar a vitória. Cada vez mais pessoas - até blogueiros - acham indispensável que o MPL condene os atos de violência. Também acho.
Esta tarde decorreu manifestação importante em Fortaleza antes  do jogo Brasil - México (Brasil venceu por 2 a 0) com mais insistência na luta contra a corrupção. Mesmo dentro do estádio foram exibidos cartazes nesse sentido, conforme se vê na foto.
Com o recuo dos poderes públicos em relação ao tema inicial dos protestos, o movimento vai encontrar-se na encruzilhada, devendo escolher entre terminar as  ações ou mobilizar sobre outros temas críticos.
Há poucos minutos foi fechada a ponte Rio-Niterói em virtude de importante manifestação nas suas proximidades, do lado de Niterói.Tudo parado!

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Mais de 300 mil em 11 cidades do Brasil


Pelo quinto dia prosseguiram hoje a partir das 17 horas manifestações contra o aumento das tarifas do transporte urbano. De algumas centenas de pessoas há  menos de uma semana  passou-se a  100 mil no Rio, 65 mil em São Paulo, 30 mil em Belo Horizonte. Em Brasília a marquise do Congresso foi ocupada e milhares estiveram  nas ruas de Salvador, Porto Alegre, Curitiba, Maceió, Vitoria.  No geral tudo pacifico e os governos de São Paulo e Rio que chamaram os manifestantes de "vândalos" procuram contemporizar, claramente surpreendidos pela dimensão das manifestações. Cenas de violência com grupos menores ocorreram à tarde  em Belo Horizonte e  à noite nas escadarias da Assembleia Legislativa do Rio.
O Movimento Passe Livre é muito provavelmente um ponto de partida para outras campanhas sobre outras áreas  sociais, como educação, saúde e segurança. Neste ponto, setores estudantis colaram na tarde de hoje cartazes  em vários pontos do centro do Rio. O movimento  está a combater todas as tentativas de utilização partidária, ou seja, aceita lideres e militantes partidários nas manifestações, mas não suas bandeiras.
O Brasil entrou com força no movimento mundial de protestos e vai ter  muito alta repercussão.
Enquanto faço esta postagem a  maior parte das manifestações prossegue